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"Gay, preto, pobre e universitário viraliza: "humanidade não está lascada"

Denise Tremura

24/01/2020 11h28


Depois da divulgação do resultado do Enem, vários internautas comemoraram (ou não) o ingresso na faculdade. Um tuíte emocionante mostrando a reação de um jovem negro da periferia ao ingressar na Universidade Federal de Brasília aqueceu o coração da timeline

Gabriel Felipe Gomes da Paz, de 19 anos, de Ceilândia, no Distrito Federal, vai cursar Artes Cênicas na UNB (Universidade Federal de Brasília) agora em 2020.

O jovem participou do PAS (Programa de Avaliação Seriada), um processo seletivo da universidade que é realizado ao longo dos três anos do ensino médio (uma prova de avaliação a cada ano).

"Pessoas negras entrando em universidades federais representa muita coisa. Primeiro que é uma reparação histórica. Desde sempre vemos brancos ocupando as vagas nas faculdades, pessoas com condições financeiras de pagar os estudos. Há algum tempo atrás os negros nem pensavam em ir para as faculdades, porque não tinham a oportunidade de estudar, muitos nem concluíram o ensino médio", destacou Gabriel para o blog.

"Eu saber que eu sou um negro, periférico e que estou na faculdade neste momento é algo muito importante. Isso sinaliza uma mudança muito significativa na sociedade. E é isso que a gente quer, conquistar nosso espaço. A gente também quer ser médico, doutor, empresário, exercer funções que até então são elitizadas", acrescentou.

Gabriel se mostra um jovem politizado, mas diz que até bem pouco tempo atrás não se interessava por política, achava um assunto chato, mas começou a mudar ao perceber que nós somos regidos pela política e daí a necessidade de entender e se envolver com ela.

Ele é bailarino profissional, dá aulas de dança e acredita na arte como agente transformador da sociedade "A arte transformou a minha vida, acredito que o mundo pode ser salvo pela arte."

O jovem não esperava tamanha repercussão no Twitter, pois sempre usou a rede social como um diário pessoal, onde relata os acontecimentos do dia a dia.

"Eu postei mais pra mostrar para os meus amigos que havia passado, daí todo mundo começou a comentar, compartilhar, curtir, teve uma hora em que eu nem conseguia mais responder todo mundo" contou.

"Eu tô rindo à toa, porque tem muito tuíte do bem, é muito legal saber que a galera que nem me conhece tá feliz por mim. E é nesses momentos que a gente percebe que a humanidade não tá totalmente lascada. Claro que sempre tem os que falam que isso não é nada demais, que tentam diminuir sua conquista, falam em meritocracia. Esses a gente só ignora mesmo."

Gabriel já sofreu preconceito, tanto por ser negro quanto por ser gay. E relata que isso sempre magoa, incomoda, e que algumas pessoas tentam fazer com que as outras se sintam inferiorizadas, mas ele sabe que não é bem assim. Esse preconceito sofrido, no entanto, nunca o impediu de lutar.

Aos 12 anos, Gabriel foi morar com uma família adotiva para poder estudar, mora sozinho desde os 16 anos e sempre batalhou pelo que quis. Ele considera que o sistema das cotas foi fundamental para o ingresso na universidade e é a favor delas "é um direito nosso, um direito conquistado. Não tenho vergonha nenhuma de dizer que peguei cota", relatou.

Estamos muito felizes por você e torcendo para que sua estrela brilhe cada vez mais, Gabriel! Bons estudos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Denise Tremura estudou Letras, é escritora, blogueira, leitora, twitteira, youtuber, palpiteira, web influencer engajada nas redes sociais e sempre atenta ao que vira tendência.

Sobre o Blog

O que acontece nas redes sociais, principalmente no Twitter. Um bate-papo sobre tecnologia, linguagem, algoritmo, engajamento, conteúdo, memes e tudo o mais que vai parar nos trending topics.

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